Cotidianamente
observa-se uma maior preocupação no que se refere à questão da responsabilidade
sócio-ambiental das empresas. Pressionadas por diversos tentáculos da sociedade,
clientes, consumidores ou até mesmo os fornecedores tem assumido uma postura no
sentido de cobrar do setor produtivo com as quais se relacionam ações e
políticas voltadas para a preservação do meio ambiente, bem como para um
desenvolvimento sustentável. As corporações, cada vez mais, sentem-se na
obrigação em desprender uma atenção redobrada ao que se refere à qualidade de
vida em nosso planeta. Na atual conjuntura, inúmeras são as iniciativas que
sinalizam uma ansiedade emergente pelas causas sustentáveis. Os sistemas
produtivos, que antes eram estimulados a todo custo, baseado no argumento do
“produzir intensamente para um crescimento econômico indispensável”, passa a
ser questionado.
A gestão das empresas
concentrava-se nas três funções básicas presente em uma estrutura
organizacional: a função técnica, a função financeira e a função administrativa,
com o aumento das preocupações relacionadas às questões ambientais surgem nas
décadas de 70 e 80 as regulamentações e controles ambientais, fixando normas
para a instalação de novas indústrias bem como para as existentes, ficando
caracterizados os crimes ambientais. No entanto a cultura empresarial ainda era
reativa, pois, a preocupação era no sentido de não cometer crimes ambientais
para se isentarem das multas e penalidades previstas.
Na década de
90, quando se percebe uma mudança de foco na gestão ambiental, voltada para a
otimização dos processos produtivos na busca de redução dos impactos
ambientais, uma nova postura baseada na responsabilidade solidária é adotada
pelas empresas, que passam a exercer uma política ambiental mais ativa deixando
em segundo plano as preocupações com multas e autuações. O que passa ser
importante neste contexto é o cuidado com a imagem da empresa, que busca
mostrar sua política voltada não só para aspectos econômicos, mas para o social
e ambiental, levando a questão do desenvolvimento sustentável além do discurso,
adotando esta como uma responsabilidade da empresa.
Atualmente, existem
os tratados e acordos internacionais que garantem para as empresas vantagens
competitivas, pelos investimentos em gestão ambiental, o principal instrumento
de incentivo é a série dos certificados ISO 14000, 14001, 14002 dentre outros.
Mas acima de tudo, uma nova postura da sociedade e contexto econômico atual
caracteriza-se por um rígido comportamento dos clientes, voltada à expectativa
de interagir com organizações que sejam éticas, com boa imagem institucional no
mercado, e que atuem de forma ecologicamente responsável, por exemplo, 68% dos
consumidores brasileiros estariam dispostos a pagar mais por um produto que não
agredisse o meio ambiente. Essa nova sociedade de consumo define que os
resultados econômicos passam a depender mais de decisões empresariais que levem
em conta que não há conflito entre lucratividade e a questão ambiental.
Segundo
Tachizawa (Atlas, 2011), a 3M deixou de despejar desde 1975, 270 mil toneladas
de poluentes na atmosfera e 30 mil toneladas de efluentes nos rios, e está
conseguindo economizar US$ 810 milhões combatendo a poluição nos 60 países onde
atua. Outra empresa, Scania caminhões, contabiliza a economia em torno de R$ 1
milhão com o programa de gestão ambiental, que reduziu 8,6% no consumo de
energia, de 13,4% no de água e 10% de resíduos produzidos apenas no ano de
1999. Desta forma fica evidenciado que a questão ambiental não é mais uma forma
de responder a questões legais, e sim fator de competitividade, conquista de
mercado e manutenção da produção.
Portanto,
Torna-se necessário para a empresa neste contexto a implantação de uma boa
política de gestão ambiental, sabendo-se que não somente a imagem da empresa
diante dos seus clientes e consumidores será potencializada, como também a sua
rentabilidade.
Jamerson Reis
Geógrafo,
graduando em Logística, Diretor Executivo e Consultor da COLOGEA - Consultoria
em Logística e Gestão Ambiental, Coordenador Científico do COJAC – Conselho
de Jovens da Associação Comercial de Pernambuco
Keila Carvalho
Bióloga,
Doutoranda em Meio Ambiente e Desenvolvimento, Coordenadora Científica e
Consultora da COLOGEA – Consultoria em Logística e Gestão Ambiental.
Citação: Tachizawa, T. Gestão Ambiental e responsabilidade social corporativa:
Estratégia de negócios focadas na realidade brasileira, 7ª Edição. São Paulo:
Atlas, 2011.