Com um projeto sobre passeios quânticos, a professora Katiuscia Cassemiro, do Departamento de Física da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), foi uma das vencedoras do prêmio L’Oreal Brasil Mulheres na Ciência 2012, uma iniciativa da L’Oréal Brasil em parceria com a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Desde 2006, o programa tem por objetivo a participação das mulheres brasileiras no cenário científico do Brasil. Para isso, a cada ano, sete pesquisadoras são contempladas com uma bolsa-auxílio no valor equivalente a 20 mil dólares, sendo uma bolsa na área de Matemática, outra na de Química, quatro nas de Ciências Biomédicas, Biológicas e da Saúde, e uma de Física - cuja vencedora foi Katiuscia.
A edição 2012 do prêmio traz como tema a sustentabilidade, e em seu trabalho, Katiuscia explica que uma das vertentes consiste em aumentar o emprego da energia solar. “Um dos problemas encontrados é justamente o fato de que não conseguimos coletar essa energia de modo eficiente. No entanto, sabemos que as plantas fazem isso com bastante sucesso, através do mecanismo de fotossíntese. Em meu projeto ressalto possíveis conexões entre esse processo e passeios quânticos, o que tem sido tema de grande debate na comunidade científica”. Agora, o que ela espera é justamente avançar na compreensão do mecanismo que permite uma planta captar luz e transferi-la, com alta eficiência, para outra região através de uma rede com várias trajetórias. “O potencial tecnológico é claro: desenvolver sensores solares de alta eficiência”, argumenta.
Professora-adjunta da UFPE desde outubro de 2011, Katiuscia finalizou no ano passado um pós-doutorado no instituto Max Planck para Ciências da Luz - Erlangen, na Alemanha. Atuando na área de Física, com ênfase em Ótica Quântica, ela elogia a iniciativa de incentivar mais mulheres a se dedicar à ciência. “Infelizmente, ainda é muito comum o preconceito de que mulheres não tenham um desempenho excelente nessa área, o que certamente desmotiva jovens talentosas de seguirem a carreira científica”. Da primeira vez que ouviu falar no prêmio, a especialista estava fora do Brasil, e não podia concorrer. “Voltei para o Brasil no final de 2011, quando fui contratada na UFPE, junto do vínculo institucional abriu-se a possibilidade de concorrer ao prêmio”.
Com a bolsa, será possível comprar suprimentos para o laboratório onde ela trabalha de modo mais flexível e menos burocrático. Ela ainda não possui laboratório próprio, mas conta com a ajuda de colaboradores para executar as ideias. “Além disso, as iniciativas das agências de fomento para financiar o laboratório de jovens recém-contratados, que estejam trazendo novas linhas de pesquisa, são ainda muito tímidas. A contribuição da L’Oreal é extremamente importante, por impulsionar o início de carreira dos jovens que se destacam. Finalmente, a visibilidade que vem junto ao prêmio ajudará a selecionar um bom estudante para trabalhar nesse projeto. Espero ter a parte basilar do projeto implementada no laboratório em alguns meses. Depois é uma questão de ir se divertindo com o sistema e ler o que a natureza diz”, completou.
JÚLIA VERAS, da Folha de Pernambuco
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