| O presidente da Transpetro ao lado do governador Eduardo Campos e da presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster: festa para o João Cândido dois dias antes da má notícia |
“O contrato com a Samsung só cobria até o sexto navio. Então, na verdade, eles estavam inadimplentes com o meu contrato. Eu não posso manter um contrato inadimplente, sem tomar as devidas providências. Não seria bom nem para o estaleiro, nem para mim”, justifica o presidente da subsidiária da Petrobras, que na última sexta-feira (25) veio ao estado para participar da cerimônia de entrega do navio João Cândido, o primeiro petroleiro fabricado pelo EAS.
Segundo Sérgio Machado, a suspensão se deu em comum acordo, através de um aditivo. Ainda de acordo com ele, a Transpetro não está ajudando a empresa a resolver o problema com o futuro parceiro técnico. “Não posso escolher com quem você vai casar. Ninguém pode ajudar nesse processo. É uma escolha pessoal. Até porque se eu interferir nisso, depois a escolha que eu fiz tem uma responsabilidade. Eu não sou construtor. Sou comprador”, diz.
HistóricoEm março deste ano, a sul-coreana Samsung, que detinha 6% do Estaleiro Atlântico Sul, abandonou o negócio. Apenas os seis primeiros navios do EAS, contarão com a sua assistência técnica, porque a ex-sócia já recebeu US$ 60 milhões pela transferência de tecnologia.
No último domingo (27), dois dias após a entrega do João Cândido - primeiro navio do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) -, a Transpetro divulgou uma nota informando a suspensão dos contratos até o dia 30 de agosto de 2012. Dentro deste prazo, o EAS terá de conseguir um parceiro técnico com comprovada experiência na construção de navios e apresentar um plano de ação com cronograma confiável, além de um projeto de engenharia que atenda às especificações contratuais.
Durante o período de suspensão, não serão aportados recursos na construção dos navios e a Transpetro não será responsável por custos incorridos pelo estaleiro em decorrência da suspensão. “Caso, ao final deste prazo, o EAS não cumpra essas exigências, os contratos de compra e venda dos navios poderão ser rescindidos, mantida a possibilidade de aplicação de sanções previstas nos contratos”, diz a nota. O EAS também poderá pagar multa pelos atrasos na entrega das embarcações. O estaleiro tem 30 dias para recorrer.
Mirella Falcão - Estado de Minas
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