As projeções do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas
(IPCC – sigla em inglês) da ONU sobre o aquecimento do planeta foram
fundamentais para alertar a sociedade e os governos para a questão.
Segundo os estudos realizados pelo grupo, que reúne cientistas do
mundo todo, nos próximos 100 anos poderá haver um aumento da temperatura
média global entre 1,8ºC e 4,0ºC. Além disso, o nível médio do mar deve
subir entre 0,18 m e 0,59 m, o que pode afetar significativamente a
atividade humana e os ecossistemas terrestres. Para se ter uma ideia de como o processo de aquecimento da Terra está
acelerado, basta saber que o planeta demorou 10 mil anos para que a
temperatura aumentasse 5ºC. Agora pode levar apenas 200 anos para
aumentar mais 5°C.
Com o objetivo de projetar as consequências desse fenômeno para o Brasil, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
(Inpe), traçou dois cenários: um pessimista, que estima aumento da
temperatura no País entre 4ºC e 6°C, e outro otimista, com alta entre
1ºC e 3°C. As duas projeções apontam para diminuição do volume de chuvas na
região Norte, aumento da temperatura no Centro Oeste, seca no Nordeste,
aumento de extremos de seca, chuva e temperatura no Sudeste e aumento do
volume de chuvas no Sul, mas com alta evaporação por causa do calor, o
que afeta o balanço hídrico. “Essas alterações climáticas causam aumento do número de eventos
extremos, ou seja, passam a ocorrer mais vezes chuvas fortes, por
exemplo, que provocam enchentes e deslizamentos”, afirma o geólogo
Eduardo Macedo. “O Brasil tem uma legislação que lida com essa questão, além dos
projetos de preservação ambiental”, ressalta a diretora de Mudanças
Climáticas do Ministério de Meio Ambiente, Karen Suassuna, referindo-se à
Política Nacional sobre Mudança do Clima, que estabelece metas como a
redução da emissão de gases de efeito estufa entre 36% e 39% até 2020,
tendo como base as emissões previstas para aquele ano.
Multidisciplinar
O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT)
possui hoje 13 subprojetos voltados para o estudo das mudanças
climáticas, com o objetivo de produzir conhecimento sobre o assunto de
uma forma que seja acessível aos tomadores de decisão. Para Paulo Nobre, pesquisador do INCT, as mudanças climáticas afetam a
economia, as energias renováveis, o meio ambiente, a saúde. Por isso, o
desafio é tratar o tema de forma multidisciplinar, quantificar os
efeitos e incorporar as políticas públicas. O geólogo Macedo acredita que é cedo para relacionar os atuais
eventos climáticos com o aquecimento global. E alerta: “Diminuir a
emissão dos gases não vai fazer o fenômeno parar. Vai demorar mais 100
anos para o planeta voltar ao que era antes. Nós temos que nos adaptar à
nova realidade”.
Fonte: Portal Brasil
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